sexta-feira, 10 de junho de 2011

Diário de bordo


Fim de tarde de outono. O vento passeava entre as frestas das grades das janelas, anunciando – provavelmente – um frio junino a que tanto nós, sertanejos da Chapada Diamantina, queremos bem.
Assim, entremeados de sonhos, vontades, mas, sobretudo de desejos em qualificar nossa prática pedagógica e nos aperfeiçoarmos enquanto profissionais em serviço, inauguramos o espaço de formação continuada com foco na docência, da Escola Municipal Carlos Santana. Assim, dada a demanda apresentada através do diagnóstico de leitura, bem como o trabalho com o referido assunto, elegemos “A avaliação de leitura: diagnóstico como indutor curricular”.
Nesse contexto, intentou-se alcançar os seguintes objetivos:
  • Analisar as aprendizagens dos alunos acerca da leitura no diagnóstico de leitura, para tomada de decisões acerca dos saberes e dificuldades sinalizadas;
  • Organizar a rotina do trabalho com leitura, tendo em vista os critérios de continuidade e diversidade de gênero para garantir que os alunos aprendam a ler e escrever com diferentes propósitos;
  • Traçar metas para incluir no Plano de Gestão da escola com vistas ao enfrentamento das questões relativas à aprendizagem dos alunos no tocante à leitura.
Dessa forma, o encontro formativo foi iniciado pela leitura compartilhada do livro Finnicio Riovém, em que se intentou contribuir na/para a formação leitora de todos os presentes. Leitura gostosa, engraçada e acima de tudo, bem feita: o que mostra, na prática, o quanto uma leitura em voz alta deve ser realizada com propriedade e prazer!
Posteriormente, com vistas a qualificar e consolidar a formação leitora, foram distribuídas senhas e todos os presentes deveriam ir em busca dos livros em que estavam as referidas senhas. Essa atividade consistia em montar um catálogo de indicações literárias construído pelos profissionais que estavam na formação.
Adentrando o conteúdo da formação, foi socializado o resultado do diagnóstico de leitura realizado no primeiro bimestre, em que cada dado relacionado ao descritor foi discutido e explanado de forma clara e objetiva.
Questionou-se, a partir das seguintes problematizações:
  • Por que a escola ensina a ler?
  • De onde surgem os conteúdos que norteiam o trabalho de sala de aula?
Assim, travou-se uma discussão fértil acerca da intencionalidade da leitura, sobretudo de quem cabia essa tarefa. A polifonia dos discursos mais uma vez contribuiu para a construção da ideia de que é função da escola a tarefa de ensinar a ler e esse conteúdo deve ser objeto de estudo e de ensino sistemático por todos os professores e nas diversas áreas do conhecimento.
Posteriormente, foram apresentados slides que traziam em seu bojo reflexões acerca da leitura como objeto de ensino e não só em Língua Portuguesa, mas em todas as áreas do conhecimento.
Alguns professores enriqueceram as discussões contribuíram de maneira consubstancial, apresentando situações em que os alunos demonstraram dificuldades concernentes ao processo de resolução das questões, a saber:
  • Apresentaram situação em que o aluno conseguiu ler o enunciado, contudo, não compreendeu o que se pedia naquele contexto;
  • Ressaltaram algumas respostas dos alunos, considerando o vocabulário ainda desconhecido, bem como a necessidade de intensificar o trabalho com leitura em sua área de ensino;
  • Reafirmaram que alguns alunos conseguiram localizar uma informação, sem, contudo, recuperá-la e consequentemente, lograr êxito nessa resposta;
Isto posto, ficou acordado que as rotinas de trabalho e as ações seriam construídas nos encontros de planejamento junto com as coordenadoras pedagógicas.
Finalmente, concluímos que:
·         O trabalho com a leitura PRECISA ser objeto de ensino com todos os professores, considerando as especificidades das áreas do conhecimento;
·         Os encontros de formação precisam ser mais focados, em que as discussões gerem em torno de uma construção: há necessidade de sair do espaço com algo construído e/ou encaminhado;
·         É importante que todos os professores compreendam a função da leitura na escola, bem como assumam essa tarefa como sendo imprescindível ao trabalho da escola;
·         Urge que se ofereça apoio aos professores que apresentam mais dificuldades e/ou concepções equivocadas acerca do ensino da leitura, bem como o acompanhamento sistemático da equipe pedagógica, no sentido de planejar, supervisionar as práticas em sala de aula e voltar ao espaço de planejamento, com o intuito de se fazerem os devidos ajustes;
·         Faz-se imprescindível a garantia dos encontros de formação, pois é nesse espaço que se constroem os saberes e se fortalecem as aprendizagens profissionais.
Sendo assim, nesse constante trabalho dialético de educar, certamente a Escola Municipal Carlos Santana consolidará a dinâmica de qualificação da educação pública de qualidade, que tanto se busca conquistar plenamente.
Berenice Santos Freitas
Cristiane Mara Portugal Brito
Handherson Leyltton Costa Damasceno
Itaetê, 20 de maio de 2011.

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